terça-feira, 10 de janeiro de 2012

MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS, Medidas de circunferência ou perímetro, Medidas de dobras cutâneas, Medidas de massa corporal e Índice de massa corporal (IMC)

MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS


Definição:

FERNANDES FILHO (2003, p.33) define antropometria como:
“a ciência que estuda e avalia o tamanho, o peso e as proporções do corpo humano, através de medidas de rápida e fácil realização, não necessitando equipamentos sofisticados e de alto custo financeiro”.
COSTA (1999 s/p) diz que, através de medidas antropométricas é possível fazer o acompanhamento de crescimento morfológico, bem como de alterações de medidas corporais decorrentes da prática de exercícios físicos e dietas, proporcionando dados de grande valia para os profissionais da área da saúde.
Este acompanhamento pode ser realizado simplesmente pela observação da alteração das medidas em valores absolutos ou através da utilização das mesmas em modelos matemáticos que têm a finalidade de estimar as quantidades dos diferentes componentes corporais: massa muscular, massa óssea, massa gorda e massa residual.
A grande vantagem das medidas antropométricas reside no fato que as mesmas podem ser utilizadas em estudos com grandes amostras populacionais,

Medidas de circunferência ou perímetro.

Definição
As medidas antropométricas de circunferência correspondem aos chamados perímetros que podem ser definidos como perímetro máximo de um segmento corporal quando medido em ângulo reto em relação ao seu maior eixo.

 Medidas de dobras cutâneas

 EDWARDS (1950), citado por GUEDES (1987), refere que a literatura especializada menciona a existência de aproximadamente 93 possíveis locais anatômicos onde uma dobra cutânea pode ser destacada.
Os locais padronizados para medições de dobras cutâneas, descritos no Anthropometric Standardization refernce Manual, são as seguintes: Peitoral,Axilar (Torácica), Subescapular, Axilar Medial, Suprailíaca, Abdominal, Tríceps, Bíceps (Biciptal), Coxa e Panturrilha medial.

Medidas de massa corporal

Definição
É a resultante do sistema de forças exercidas pela gravidade sobre a massa do corpo. Contudo, pode-se admitir o peso em valor absoluto como sendo igual à massa.
3.8.2 Objetivo
Determinação do peso corporal ou mais acertadamente da massa corporal total.

 Índice de massa corporal (IMC)

 O IMC (Body Mass Index, BMI), termo proposto por KEYS e associados em 1972 (WEIGHELEY, 1989, apud FERNANDES 2003, p.99), tem sido referido também como Índice Quetelet (LEE et al., 1981), que leva o nome de seu criador, após 1800, que é considerado o pai da antropométria. O IMC é considerado o mais popular índice de estatura e peso, ou mais precisamente, da proporção do peso do corpo para altura ao quadrado; IMC (kg/m²) = PC (kg)/ AL² (m).
Sua utilização se baseia no conceito de excesso de peso que segundo POLLOCK (1993, p.47) é simplesmente definido como aquela condição onde o peso do indivíduo excede ao da média da população, determinada segundo o sexo, altura e o tipo de compleição física.

O termo pesado segundo McARDLE (1992, p.387) se refere somente ao peso corporal em excesso de algum padrão, em geral o peso médio para determinada estatura. WEINECK (1991, p.393) diz que se partindo do chamado “Peso Normal”, o excesso de peso é calculado a partir da altura e equivale à altura menos 100 (Equação de BROCA). BROCA considera como valor normal os que se colocam para mais 10 ou menos 10 do peso ideal calculado.
Durante muito tempo às tabelas de peso/estatura foram e ainda são utilizadas como forma de classificação do excesso de massa corporal ou para a avaliação dos efeitos dos programas de exercícios físicos sobre o organismo, a sua grande limitação está no fato que a mesma não fornece informação fidedigna acerca da composição relativa ou da qualidade do peso corporal do indivíduo, pois o IMC não diferencia peso de gordura de peso livre de gordura.
Elas se baseiam, essencialmente, nas estatísticas das variações médias do peso corporal para pessoas de 25 a 59 anos de idade, quando a taxa de mortalidade é mais baixa, sem levar em consideração as causas específicas da morte ou a qualidade da saúde antes da morte.
A sua principal limitação se baseia em um estudo realizado sobre composição corporal realizado por WELHAM & BEHNKE (1942), onde foram avaliados 25 jogadores profissionais de futebol americano, dos quais 17 haviam sido considerados inaptos ao serviço militar por estarem acima dos padrões preconizados por essas tabelas de peso/estatura, e conseqüentemente sido considerados obesos, os pesquisadores constataram que a maioria destes indivíduos possuía uma pequena quantidade de gordura e seu excesso de massa corporal era devido a uma grande quantidade de massa muscular.
Esse fato evidencia que a massa corporal recebe uma contribuição diferenciada de cada um de seus componentes, e afirmar que um indivíduo é ou não é obeso baseando-se apenas no valor de sua massa corporal total, obtida na balança, pode constituir um erro.
Segundo FERNANDES (op.cit) o IMC possui uma moderada correlação (r=0,70) com o percentual de gordura predito a partir de pesagem hidroestática (KEYS et al, 1972). O erro padrão da predição de percentual de gordura do IMC foi aproximadamente de 5-6% (POLLOCK 1995, p.88).
A equação para estimar o percentual de gordura de adultos com idade inferior a 83 anos, a partir do IMC é a seguinte:
GC = (1.2 x IMC) + (0.23 x Idade) - (10.8 x Sexo) - 5.4
Onde:
IMC = Índice de Massa Corporal em kg/m3
Idade= Idade em anos
Sexo: Mulher =0; Homem =1
Logo concluímos que, embora o IMC possa ser um índice rudimentar de obesidade e sua utilização seja questionável na avaliação de indivíduos, para estudos populacionais, sendo que o mesmo não pode ser utilizado para estimar a gordura corporal, este índice constitui uma alternativa bastante valida, pois além de ser o método mais simples e de baixo custo, requer apenas as medidas de peso e estatura, e segundo (SICHIERI, 1998) apud COSTA (2001, p.39) se uma população apresenta valores elevados de IMC podemos afirmar que isso ocorre em função do excesso de componente gordura corporal, já que na maioria das pessoas que apresentam excesso de massa isso não ocorre por excesso de massa magra.

Relação cintura quadril (RCQ)

A proporção da cintura para o quadril (RCQ) é fortemente associada à gordura visceral e parece ser um índice aceitável de gordura intra-abdominal. Entretanto alguns pesquisadores mostram que a circunferência da cintura, sozinha, é um melhor preditor de depósito da gordura visceral que a RCQ.
Esses achados sustentam a hipótese de que a deposição de gordura abdominal poderia aumentar a circunferência da cintura a despeito de o tecido se acumular em pontos profundos ou superficiais. A circunferência do quadril, porém, é influenciada apenas pela deposição de gordura subcutânea; assim, a precisão da RCQ em avaliar a gordura visceral diminui com o aumento dos níveis de gordura.
A RCQ pode mudar na mulher, dependendo do estágio de menopausa no qual ela se encontra, ou seja, mulheres na pós-menopausa apresentam um padrão mais masculino de distribuição de gordura do que as que estão na pré-menopausa.
Com essas discrepâncias, nenhuma norma foi estabelecida para a circunferência da cintura. Portanto, nós recomendamos que classifique-se os indivíduos nas categorias de alto risco ou baixo risco utilizando a RCQ.




AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA: Projeto de elaboração de sistema de informações
Leonardo de Arruda Delgado

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